Afinando a Bateria

By Oficina de Bateria | maio 5, 2014

Quando alguém se propõe a afinar uma bateria, deve antes de tudo, se conscientizar de que está comprando uma briga que pode se transformar numa acirrada batalha.

O nosso velho e simples tambor, seja ele tom-tom, surdo, caixa ou até mesmo o bumbo, é um “indivíduo” extremamente manhoso e não aceita, pra começar, qualquer tipo de pele.  Fatores como qualidade e tipo de madeira, assim como a espessura da parede do tambor, variando conforme a quantidade de camadas de compensado usada em sua fabricação, determinam se devemos usar peles leves (finas) ou mais pesadas (as hidráulicas são ótimas).

As mais leves, tendem a liberar mais os harmônicos, exigindo portanto o uso de rings – aqueles famosos e bem-vindos círculos de matéria sintética usados em volta da pele, do lado de fora. Existe também um tipo auto-colante que se coloca na parte de dentro do tambor, mas cuidado porque isso pode interferir no som, deixando-o sem brilho e opaco, portanto, sem vida.

As peles finas funcionam melhor com afinação alta, pois são fabricadas para liberar uma tonalidade brilhante. Em contrapartida, as pesadas se adaptam muito melhor a uma afinação mais baixa.

TOM-TONS E SURDO

Basicamente, afinar um tom-tom ou um surdo consiste em achar o ponto de tensão mais adequado entre as duas partes. Se temos somente a pele de cima, o problema é diminuído em muito porque nesse caso desaparecem os  movimentos ascendentes e descendentes de ar  que acontecem no interior do tambor de duas peles quando ele é tocado.

Por outro lado, temos que achar uma relação tonal agradável entre os tom-tons e o surdo. Aí é que mora o perigo, porque as vezes achamos o ponto de equilíbrio ideal para cada um  separadamente, mas a relação tonal entre todos pode não estar musical. Por isso, a solução é afiná-los em conjunto, sempre disposto, se for o caso (e em muitas vezes isso acontece), a sacrificar um ou outro tambor em favor da afinação geral da bateria.

A pele de cima é a primeira a ser colocada e a que determina, em primeira instância, a altura do som. Deixe-a mais ou menos na tensão desejada antes de colocar a de baixo, que determina o decay, ou seja, a velocidade com que o som morre. Nesse ponto, está sempre pronto para o ataque o inimigo número um daquele que pretende apenas tocar com seu instrumento afinado: a ressonância.

A ressonância é uma realimentação das ondas sonoras, no interior do tambor, que evidencia e prolonga uma determinada freqüência. Para acabarmos com ela devemos mexer na tensão da pele de baixo, normalmente afrouxando-a. Vale lembrar que pra começar, a pele de baixo deve ser apertada com a mesma tensão da de cima; no caso dos tom-tons e surdo. Se, ao aliviar a tensão da pele de baixo, a ressonância não sumir, mexemos também na de cima. Dessa vez experimentamos subir ou descer a tensão, até que o equilíbrio entre as duas fique estabelecido. Em último caso lançamos mão do recurso do abafador externo: um pequeno pedaço de feltro no meio da pele de baixo resolve o problema em detrimento do timbre, tornando-o mais opaco.

Quando a ressonância se apresenta de maneira persistente, temos que abrir mão da altura do som que desejamos para satisfazer aquilo que o tambor está pedindo, mesmo que aparentemente a sua tessitura esteja sendo respeitada. Isso para se obter uma nota única, central, com um mínimo de harmônicos e um decay não muito longo, que permita a “respiração” do som.

CAIXA

Para a caixa seguimos basicamente o mesmo comportamento descrito até agora, com a diferença de que devemos, para se obter um timbre mais cheio e pesado, mesmo com afinação alta, tensionar mais a pele de baixo, sem esquecer que a tensão da esteira também interfere e muito no resultado final do som da caixa.


BUMBO

O bumbo é um caso à parte porque é a peça mais prejudicada, por ser a que emite a freqüência mais baixa. Isso faz com que ele perca facilmente a batalha de volume travada com as outras peças da bateria, e principalmente com os instrumentos amplificados, quando se está tocando em grupo. Por isso ele é amplificado mesmo em lugares pequenos. A regra, portanto, é em função da captação e amplificação do som, ou seja, abafadores internos (panos e almofadas) em quantidade suficiente para se obter um timbre seco, definido e pesado. Boa sorte!

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O Cérebro do Músico

By Oficina de Bateria | outubro 28, 2011

Durante muitos anos pensou-se que a maturação cerebral se desenvolvia na infância, e não poderia ser modificada posteriormente. Hoje, a partir do avanço científico, sabe-se que o cérebro é capaz de se adaptar e até modificar-se, de acordo com as experiências vivenciadas ao longo de toda a vida, e não apenas na infância.

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