Histórico dos Meus Kits

A ideia aqui é mostrar um pouco de como nasceu e se desenvolveu essa verdadeira fixação (no bom sentido) que eu tenho pela bateria, através dos diversos kits que eu tive, desde que comecei a tocar, até hoje.

Kit Panelas

Lembrança mais remota que tenho de batucar em alguma coisa. Espalhava panelas no chão e mandava ver com os garfos. Foi assim que coordenei meus primeiros ritmos

Rui aos 7 Anos

Destaque

Amigão inseparável...

Que me desculpe Papai Noel, mas é o tambor.


Tarol

Com 9 anos mais ou menos, ganhei um tarol de Natal, e, com meu amigo César que também tinha um , passávamos as tardes, depois das aulas, tocando na entrada do prédio onde morávamos, em Niterói. Com esse tarol cheguei a ensaiar na banda do Liceu Nilo Peçanha mas nunca desfilei. Acho que o coordenador da banda não levou fé. Toquei também no bloco da minha rua que ensaiava o ano inteiro mas não saía no Carnaval.


Kit sofá

Foi onde peguei as primeiras batidas típicas de bateria, acompanhando do começo ao fim o disco Rubber Soul dos Beatles. Era assim: eu sentava na banqueta dos pés, de frente pro sofá, e “tocava” no assento e nos descansos de mãos, batendo com os calcanhares no chão. Isso era possível porque eu já tinha o par de baquetas que usava no tarol.


Saema

Cor – madrepérola azul.

Detalhes – tambores com couro de boi (não afinava nunca). Quando o frio era grande, às vezes tinha até que esquentar as peles com fogo para esticar um pouco mais (meio selvagem mesmo). Não tinha surdo nem contratempo.

Configuração – bumbo de 18”, tom-tom de 12”, caixa de madeira com 13” e um pratinho de latão (som horroroso) com um suporte preso ao bumbo.


Saema (versão completa)

Côr – madrepérola azul.

Configuração original – bumbo, tom-tom e caixa da  Saema.

Complementos - surdo de 16” e prato de 22”, ambos da Hegner. Contratempo Caramuru.

Curiosidade – descobrimos que havia em Niterói uma fábrica de instrumentos que também fabricava bateria. Meu pai então encomendou o surdo que faltava e um prato de 22” de latão, que era tão ruim que precisava prender na borboleta do tripé uma correntinha que ficava deitada sobre o corpo do prato, e isso melhorava um pouco o som do bicho que era de amargar.

Vez por outra era preciso levá-lo à fábrica para passar na máquina e desentortar, pois de tão grande, ele virava pra cima, que nem chapéu de chinês.

Pra completar o kit comprou também um contratempo Caramuru, fábrica que anos mais tarde descobri no interior do Sergipe, ao passar de ônibus, indo tocar no interior do estado. Era apenas uma portinha meio afastada da estrada com um letreiro escrito “Baterias Caramuru”. Nunca mais esqueci disso.


Saema (versão com 2 tons)

Cor – madrepérola azul.

Configuração – bumbo, surdo, dois novos tons e caixa metálica, tudo da Hegner. Da Saema mesmo ficou somente o bumbo.


Premier (a primeira)

Cor – branca (levemente amarelada pelo tempo).

Configuração – bumbo de 20”, tom-tom de 12”, surdo de 16”, caixa de madeira, dois timbales de metal, pratos e contratempo Zildjyan.

Curiosidades – primeira vez que vi e ouvi tambores com peles de nylon e pratos turcos. A bateria era tão bonita e soava tão diferente das outras que, nos bailes, ficava uma galerinha de frente pro palco olhando pra ela. Eu morria de vergonha.


Premier + Gope (período Mutantes)

Cor – prateada. Como não consegui na Gope tambores da mesma côr da Premier, resolvi eu mesmo revestir tudo com uma espécie de napa prateada. Ficou linda.

Histórico – como tinha acabado de entrar pros Mutantes, resolvi incrementar minha Premier. Fui à Gope em São Paulo e encomendei dois bumbos de 24” e um tom de 14”. O bumbo da Premier virou um super surdo com um grave fantástico. O kit ficou assim:

Configuração – dois bumbos de 24”, tom-tons de 12” e 14”, surdo de 16”, surdão de 20”, caixa de madeira e dois timbales.


Ludwig Octaplus

Côr – revestimento côr de  madeira em listras horizontais.

Configuração – dois bumbos de 24” (sai de baixo), oito tons de 6”,8”,10”,12”,13”,14”, 15” e 16”, caixa metálica de 5”, surdo de 16” e os dois timbales que eu já tinha.

Curiosidades – em 1975 fui à Nova York, logo após o lançamento do Tudo Foi Feito pelo Sol, para comprar a bateria que tinha todos os tom-tons one headed, ou seja, com peles só em baixo. Isso dava um som muito característico, com muita projeção.

Tambores adicionais – pra completar a festa ainda incluí um tímpano de 25” com pedal que ficava do meu lado esquerdo e dois tonéis de 200 litros transformados em tambores (os mais graves que eu já ouvi) que ficavam atrás de mim. Total de 17 tambores.


Premier (a segunda)

Foto da versão simplificada.

Côr – meio branca meio gêlo. Assumia a côr da luz que incidia sobre ela.

Configuração –dois bumbos de 24”, quatro tons de 12”, 13”, 14” e 15”, dois surdos de 16” e 18” e caixa metálica de 6” e meia.

Complementos – tímpano com pedal, tambores de 200 litros e timbales, todos oriundos do kit anterior.

Histórico – em 1977 viajei com os Mutantes para a Europa, quando aproveitei pra comprar o kit em Londres, na casa de um iugoslavo contrabandista de instrumentos que me levou a um cômodo repleto de tambores da mesma côr e ferragens Premier.  Passei uma tarde inteira lá até definir o meu kit.

Curiosidade – com essa bateria toquei nos três últimos shows dos Mutantes (um na Itália e dois no Brasil).


Gope (envenenada)

Cor – madrepérola preta.

Configuração – bumbo de 22” + tons de 13” e 14’ + surdo de 16” + caixa metálica Premier de 6 ½” + ferragens Premier.

Histórico – ao término das atividades dos Mutantes, resolvi montar esse kit para preservar a Premier, em função das inúmeras viagens que comecei a fazer com artistas da MPB. Comprei os tambores na fábrica e, após limar e lixar a borda de todos eles, consegui que elas ficassem mais finas e lisas, melhorando muito o som. Deu um trabalhão mas valeu.

Gretsch

Cor – amarela lisa.

Configuração – bumbo de 22” + tons de 8”, 10” e 12” + surdos de 14” e 16” + caixa Premier metálica de 6 ½ “ + ferragens Premier.

Curiosidade – acoplei algumas percussões ao kit, tipo block de madeira , cow bell e uma campana de prato preso no mesmo suporte do prato comum.

Incorporei também o pedal duplo, mais prático, no lugar do bumbo duplo.

Histórico – em meados dos anos 80, aproveitei a ida a Nova York para tocar com Moraes Moreira e comprei a bateria. Eu tinha saído do Brasil com a idéia de comprar uma bateria preta ou branca, mas quando cheguei na loja e vi os tambores amarelinhos, todos empilhados, me apaixonei na hora.

Naquela época a indústria nacional não tinha ainda resolvido a questão da qualidade das baterias. O jeito era mesmo importar ou trazer o instrumento como bagagem.


Bateria Simmons

Cor – preta

Configuração – 5 pads exagonais. Para tocar com o kit completo tinha que acoplar o contratempo e os pratos.

Histórico – fui um dos primeiros a ter uma Simmons no Rio. Fiz dezenas de gravações com esse kit. Curiosamente nunca toquei ao vivo com ela.


Bateria programável

Particularidade – a bateria eletrônica programável não é tocável com baquetas, você tem que programá-la. Infelizmente não consigo lembrar a marca da minha bateria e resolvi colocar essa foto apenas como ilustração.

Curiosidade – fiz várias gravações com a bateria programável e não tocava nem um instante com baquetas. Ficava sentado, com a parte do piano ao lado, programando todas as batidas e viradas da música. No final era só apertar um botão que ela tocava toda a linha da bateria, seguindo a quantidade de compassos que foi programada.


Fischer

Cor – celulose vinho

Configuração – bumbo de 20” + tons de 8”, 10” e 12” + surdo de 16” + caixa de madeira de 5 ½ “ + ferragens Fischer e pedal duplo Tama.

Histórico – a indústria nacional já dava resultados. Conheci o Rubinho, dono da Fischer, numa feira de instrumentos em São Paulo e firmamos uma parceria que durou anos.

Curiosidades:

1) Comecei com a Fischer na época em que foi editado meu primeiro método de bateria (1992) e também gravei o primeiro solo, o LP Mundos Paralelos, gravado com esse kit.

2) Tive três baterias com dois bumbos de 24”, passando depois para kits com um bumbo de 22” e finalmente agora é inaugurada a fase dos bumbos de 20”.


RMV Concept

Cor – preta

Configuração – bumbo de 20” com pedal duplo Tama + tons de 8”, 10” com afinação mais alta e 10” com afinação mais baixa + surdo de 16” + caixa de madeira 13” x 5” + ferragens RMV.

Do meu lado esquerdo tinha uma caixa piccolo, um tom de 12” com afinação bem alta e um surdo de 14”.

Percussões do lado direito – cow bell e block sintético.

Percussões do lado esquerdo – panelinha, tamborim e block de pé.


Kit atual

Minha bateria atual é uma RMV com a mesma configuração da anterior, só que na côr cinza sparkle.


Jesus Cristo é o Senhor